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  • Miriam Zlochevsky Tunchel

Transformação digital: um assunto quase darwiniano

Atualizado: 18 de Fev de 2018




Não é de hoje que a comunicação impressa está sofrendo transformações.

Os sites de notícias chegaram com toda força, sacudindo o jornalismo, ameaçando jornais e revistas semanais.

Com velocidade comparada a de um tsunami, a informação chega ao público

e se atualiza com agilidade que nenhuma mídia impressa em gráfica pode competir.

Mas não é só o jornal que está precisando se reinventar. As revistas e livros também balançaram nesses novos tempos. A produção de conteúdos continua com a mesma demanda, mas como esse conteúdo deve ser criado já que os veículos mudaram?

A primeira ideia que eu tenho é que cada produto tem lá suas singularidades e precisa ser olhado de modo particular. O livro impresso ainda tem o seu leitor fiel, que adora manusear, sentir a textura e o cheiro do papel. As revistas de moda e decoração, que resistem bravamente às versões digitais, guardam ainda o valor de serem colecionáveis.

Mas hoje existem tantos sites, blogs e arquivos digitais que compõem um acervo de referências visuais, que manter uma coleção impressa perde um pouco o sentido, não é mesmo? Guarde suas referências na nuvem. Ocupam bem menos espaço em casa, ainda que as fotos impressas sejam tão lindas... Esse apelo é incontestável.

Romantismo à parte, o assunto pede praticidade. Sem falar na pegada ecológica: quantas árvores um tablet pode salvar?

Este assunto rende ainda muitas considerações, mas onde eu quero chegar com essa reflexão?

Se a produção de conteúdo é indispensável, que formatos devem ter para serem digitais? Fazendo uma analogia, quem escreve um texto em português não pode simplesmente colocar no Google translator para traduzir para o inglês! Quem já fez isso sabe que a qualidade do resultado pode ser duvidosa...

Isso quer dizer que cada idioma tem sua prórpia estrutura e não se formata de uma hora para outra, apenas com um click! Também quer dizer que cada superfície digital tem seu próprio idioma e gramática a ser respeitada.

Jornalistas e designers estão tendo que virar poliglotas. No caso dos idiomas estrangeiros, contamos com uma série de cursos e escolas que já testaram e aperfeiçoaram sua metodologia para obterem resultados cada vez melhores. Mas o mundo digital é novo! Ainda não deu tempo de se "formarem" muitos professores e os profissionais da comunicação estão aprendendo em tempo real.

Os livros, na minha opinião, são os que menos precisam de adaptação do escritor, porque quem procura um livro, sabe que encontrará um texto longo, quase nunca com imagens. Nesse caso, o desafio é do designer, que vai ter que diagramar o texto de acordo com dispositivo específico (formato, tamanho de fonte, etc).

E quando falamos de um site, um blog ou um aplicativo? As informações devem ser concisas, objetivas, para competir com a enxurrada de conteúdos disponíveis ao mesmo tempo. Atrair audiência e manter a permanência do leitor é desafio constante. As diferentes dimensões da tela também obrigam o designer a dispor o conteúdo de modo específico. A aparência de um site na tela do computador pode/deve ou não mudar se aberto num smartphone?

A linguagem dos ícones vieram para ficar. É o novo alfabeto, praticamente universal, reconhecido nos quatro cantos do mundo, dispensando o amigo Google Translator e deixando a Torre de Babel ser apenas uma história da Bíblia. E as redes sociais vieram somar à livros, revistas e jornais, mais opções de disseminação de conteúdos.

A parte boa é que um mundo de possibilidades se abre aos comunicadores: Youtube, redes socias, blogs, Streaming, TV on demand... tem espaço para muita gente trabalhar.

E o mais importante: ainda não inventaram nenhuma máquina que saiba criar!

Assistindo à uma palestra sobre transformação digital e o futuro das profissões, fiquei pensando que quem trabalha com comunicação está passando por um processo de seleção natural, quase nos moldes da teoria de Charles Darwin. Hoje, jornalistas e designers que não se modernizarem, atualizando seus conhecimentos, terão o mesmo destino das mariposas brancas de Manchester ou do Tiranossauro Rex.






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