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  • Miriam Zlochevsky Tunchel

Faz um loguinho simples para mim?


Inúmeras vezes recebo um pedido assim, ou escuto de algum designer que ouviu a mesma frase.

Já comentei aqui no blog sobre a importância de um logotipo bem feito.

Não é só para ser visualmente bonito, mas tem que ter um conceito por trás dele.

Tenho vários clientes que são pequenos empresários ou que estão começando a empreender. Quando se dão conta das inúmeras providências que têm que tomar para abrir seu negócio, começam a se desesperar com a infinidade de ítens que precisam pagar para dar início ao sonhado projeto da empresa própria.

É contador... é formar um time de funcionários... é comprar mercadoria ou matéria-prima... e aí se dão conta que sem um nome e sem uma marca não dá nem para abrir a empresa!

Justamente quando juntam tudo na planilha é que vem o desespero... quanto vai me custar tudo isso??? E aí, olham para você, o designer gráfico, e pedem: faz um loguinho simples para mim... não precisa ser nada muito elaborado...

Nesse momento, a missão mais importante é mostrar ao cliente que NÃO EXISTE LOGUINHO SIMPLES!

A primeira coisa é explicar que esse “loguinho simples” é a cara da empresa que ele deseja muito que seja um sucesso. No modo retórico fica ainda mais difícil mostrar que é preciso muito trabalho para expressar graficamente que marca é aquela.

Há algumas semanas recebi um cliente que está começando seu novo negócio e me pediu um logotipo.

Tentamos nos falar pelo telefone ou pessoalmente, mas estava difícil encontrar um horário em comum. Como eu tinha uma vaga ideia sobre o negócio, resolvi arriscar e desenhei algumas opções de logotipo. Alguns dias depois, conseguimos nos reunir presencialmente e apresentei as minhas propostas “às cegas”. Ele olhou as opções e se deu conta de que não sabia muito bem o que seria mais representativo. As cores que eu propus, não tinha cogitado usar... as fontes, que na minha tentativa de apresentar um leque entre modernas, com serifa ou manuscritas, só o deixou mais em dúvida. Nesse momento, fechei o computador, abri meu caderno e pedi: me fala um pouco de você, qual é o seu negócio e para quem você está oferendo seu produto. Então ele me contou um pouco de tudo. Fui anotando algumas palavras-chave que começavam a fazer sentido. Quase uma hora depois, já estava muito mais apta para sentar no meu escritório e começar quase que do zero.

No outro dia, abri o caderno e enxerguei nas minhas anotações 3 conceitos importantes. A partir daí, desenhar o logotipo seguia um caminho muito mais promissor.

Montei uma segunda apresentação, desta vez separando os 3 conceitos e as minhas propostas para cada um deles. Na nossa segunda reunião, já senti no olhar do cliente um conforto ou quase um alívio! Não eram opções vagas de quem tentava adivinhar o que ele queria e sim, imagens que criaram uma rápida identificação.

Este relato é apenas para ilustrar porque não é possível ter uma marca boa se não houver todo este processo. Encomendar um logotipo em site genérico da internet é mesmo uma opção econômica, mas me parece mais como uma roleta russa do que uma alternativa garantida. Claro que pode acontecer do cliente receber algo que agrade, mas precisa mais do que beleza para qualificar um projeto de identidade visual como bem sucedido.

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