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  • Miriam Zlochevsky Tunchel

Quanto vale o seu trabalho?


Nestes meus anos como designer autônoma, percebi que mais difícil do que criar um projeto é precifica-lo.

Não raro converso com colegas designers e vejo que esta dificuldade não é exclusividade minha.

Existem tabelas de referência, mas de modo geral, os valores propostos são sempre muito distantes das possibilidades dos clientes menores. Por esta razão, é válido se basear nela ao elaborar um orçamento, mas ajustes são necessários para que caiba no bolso de quem procura um designer.

Além de ter que adequar o valor do seu trabalho ao tamanho da empresa que vai atender, o profissional deve considerar quanto vale seu conhecimento. O serviço do designer não tem parâmetros objetivos como o de um confeiteiro, por exemplo. O confeiteiro sabe que para determinada receita ele usa tantas gramas de farinha, um certo número de ovos, chocolate, frutas, etc. Tudo isso pode ser mensurável de acordo com o que o profissional pagou pelos ingredientes. Ele soma ao quanto gasta de gás, luz, tempo de elaboração do doce e consegue chegar a um valor concreto. Claro que existe a porção mais subjetiva que envolve a qualificação e conhecimento do profissional, mas seu ponto de partida sempre começa por números objetivos. Este exemplo vale para tudo que se relaciona a produtos. A dificuldade aumenta quando estamos querendo precificar um serviço.

Quais as qualificações de um designer? Ele é um auto-didata, que conta com sua experiência pessoal ou investiu em cursos e aperfeiçoamento teórico? Deve levar em consideração o quanto pagou por aqueles inúmeros livros que compõem sua biblioteca? São relevantes os anos em que está atuando no mercado? Num mundo onde muitos dominam softwares, quem pode se considerar um designer? O fato de ter afinidade com o universo digital e ter um computador faz com que a pessoa seja considerada um designer profissional e isso avalisa seus projetos?

Em cima de todas estas reflexões, a única forma de conseguir elaborar um orçamento de design gráfico adequado é definir quanto vale a hora de trabalho. E é uma medida individual e particular.

Na maior parte das vezes em que se elabora um orçamento, faz-se uma previsão de quanto tempo levará para concluir aquele projeto, considerando as possíveis correções e ajustes. De modo geral, sempre demora mais do que se imaginava, mas isso já é quase folclórico!

Entendo que em determinadas épocas, a economia do país dificulta a vida de quem presta um serviço e pessoalmente, sempre gosto de propor um orçamento que seja equivalente ao que estou oferecendo. Ainda assim, com certa frequência, é preciso se dispor a negociar os ganhos para poder atender aquele empreendedor que está iniciando um novo projeto.

O designer deve manter sempre o equilíbrio entre o valor de seu trabalho e as possibilidades de seu cliente, sem desrespeitar nenhuma das partes.

Conquistar um cliente e fideliza-lo é um longo processo onde o empreendedor vai entender que ao contratar seus serviços está agregando algo realmente valoroso à sua marca. Desta forma, vai considerar a contribuição de um designer profissional como um investimento e nem vai cogitar pedir para aquele sobrinho muito habilidoso com o computador que crie a identidade visual de sua empresa.

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