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  • Miriam Zlochevsky Tunchel

Design bom é design invisível

Atualizado: 23 de Mar de 2018


O que um folheto com muito texto ou com imagens demais (às vezes sobrepostas) tem em comum com um cartão de visitas com as informações em fontes pequenas, ou ainda um estacionamento em que você demora meia hora para encontrar a saída?

Todos são exemplos de um design ruim!

De modo geral, o nosso dia a dia está cercado de peças gráficas, mas a gente nunca percebe. Sabe por que? Porque o bom design é aquele que está invisível.

A comunicação acontece de maneira clara e objetiva, facilitando a vida de quem consome a informação, em geral com aparência visual agradável, mas acima de tudo, ele não atrapalha!

Quando a gente fala de design de produto, lembra sempre daquela embalagem de biscoito que desafia abrí-la sem derrubar metade do conteúdo no chão ou do vidro de conserva com um lacre a prova de bala! Mas vamos nos ater ao design gráfico neste post.

Quem nunca praguejou perdendo muito tempo para achar onde fica o banheiro em um espaço comercial, como um shopping, procurando o portão de embarque no aeroporto ou tentando entender qual informação é realmente relevante em um folheto?

O designer tem a obrigação de tornar essas tarefas as mais simples possíveis, seja criando placas de sinalização claras e visíveis, seja organizando as informações contidas num folder de maneira que o leitor entenda qual a hierarquia de conteúdos ali impressos.

Não é raro o cliente enviar um volume de texto muito grande, achando que dessa forma vai deixar o público pleno de informações sobre seu produto. Esperando enriquecer com imagens e ilustrações que mais competem com o texto do que facilitam a comunicação. Se o designer acomodar todo o conteúdo de texto e de imagens num espaço insuficiente, com certeza vai sacrificar a leitura e poluir visualmente a peça gráfica. Qual a consequência disso? Fontes pequenas são difíceis de ler... muitas imagens dispersam o olhar... resultado: o leitor abandona o folheto sem ao menos terminar de ler. Duvido que alguém queira produzir um material promocional que não cumpre sua função de promover nem comunicar. Alô, cliente: a gente “faz caber” tudo (expressão que os designers conhecem muito bem!), mas isso não é tão bom como você pensa.

No caso de sinalização de espaços públicos, a melhor coisa é se valer dos pictogramas que são de identificação quase imediata, universal, ajudando qualquer viajante ocidental a não se sentir desesperado no aeroporto de Tokyo. Claro, o apoio do texto em inglês é indispensável, mas o que os olhos enxergam primeiro são os desenhos.



O aspecto estético é importante, mas o conceito de feio ou bonito é subjetivo.

O sucesso da comunicação sim é objetivo: ou a mensagem chegou ao seu usuário ou não.

Por essa razão, quando você achar um produto gráfico bonito, pode ter certeza que ele chamou sua atenção porque cumpriu a missão de comunicar e assim sua avaliação foi positiva. Se fosse somente belo, possivelmente você logo se esqueceria do que se trata.

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